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História da Medicina: o Transplante Cardíaco

Transplante Cardíaco
Escrito por Guilherme Pompeo
4.8
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Quem diria um tempo atrás que seria possível permitir que um doente em fase terminal de uma doença cardíaca crônica pudesse realizar um transplante cardíaco, ou seja, receber um órgão sadio de um outro ser humano? Pois é! Neste artigo vamos ter uma pequena noção de como isso ocorreu desde o início, a atualidade do tema e suas perspectivas futuras.

Porém, antes de começarmos, vou deixar aqui como sugestão uma videoaula da plataforma do Jaleko, sobre a Pericardite Crônica.

Como escreveu a jornalista Laura Fitzpatrick: “Durante grande parte da história registrada, muitos médicos viram o coração humano como a sede inescrutável e latejante da alma, um agente delicado demais para se intrometer.”.

No entanto, a possibilidade de transplante cardíaco tornou-se possível após, em 1953, ter sido inventada uma máquina capaz de contornar o coração e os pulmões, temporariamente, durante uma cirurgia e garantir oxigenação e circulação do sangue.

BREVE HISTÓRIA DO PRIMEIRO TRANSPLANTE CARDÍACO:

Em 1964, o cirurgião americano James Hardy realizou o primeiro transplante cardíaco ao transplantar o coração de um chimpanzé (isso mesmo! A primeira tentativa de transplante cardíaco do mundo foi através de um doador que se tratava de um chimpanzé.

No entanto, que certamente abriu novos horizontes para que novos conhecimentos fossem produzidos) no tórax de um homem com estágio terminal de doença cardíaca (na época, nenhum coração humano era disponível).

O coração do animal foi capaz de produzir batimentos no corpo do receptor, mas era pequeno demais para mantê-lo vivo. O paciente morreu após 90 minutos. Isso é um conhecimento básico atualmente, coisa que não possuíamos na época, o peso do doador e receptor são importantes, assim como o tamanho do órgão.

O PRIMEIRO TRANSPLANTE CARDÍACO HUMANO-HUMANO:

Esse ocorreu no dia 3 de dezembro de 1967, na África do Sul (ainda sob regime do apartheid), quando o cirurgião sul-africano Christiaan Neethling Barnard removeu o coração de uma jovem que morreu em um acidente automobilístico (há um museu do Coração, na Cidade do Cabo, instalado nas salas de cirurgia do Hospital Groote Shuur, onde ocorreu o transplante).

O receptor foi Louis Washkansky, homem de 54 anos que sofria de cardiopatia. No dia seguinte, o paciente estava acordado e falando, sobreviveu durante 18 dias e depois veio a óbito secundário à pneumonia causada pelo uso dos imunossupressores utilizados para combater a rejeição do órgão recebido.

A CORRIDA PARA O PRIMEIRO TRANSPLANTE:

Obviamente, na época, não era só Barnard quem estava pesquisando e trabalhando sobre a possibilidade do transplante cardíaco. Nos Estados Unidos, Richard Lower e Norman Shumway passaram os anos 1950 e 1960 aperfeiçoando os procedimentos de transplante em cães. Barnard se baseou nas suas próprias pesquisas e em seus próprios testes com cães na África do Sul.

FATOR CONTRIBUINTE PARA ESSA “VITÓRIA” SULAFRICANA?

Um dos fatores contribuintes foi a diferença na definição de morte na época. Na África do Sul, os médicos já podiam declarar um paciente morto quando se era constatada morte cerebral, sendo mais fácil o caminho para a doação de órgãos. Já nos Estados Unidos (EUA), apenas a ausência do batimento cardíaco tornava o diagnóstico de morte válido.

POLÊMICAS SOBRE O INÍCIO DO TRANSPLANTE CARDÍACO:

Norman Shumway (citado anteriormente) criticava a definição de morte norteamericana.

O próprio Richard Lower foi quase processador por assassinato após realizar seu primeiro transplante cardíaco (16º do mundo), em maio de 1968. Na ocasião, o médico não localizou a família do doador e prosseguiu com o procedimento cirúrgico, retirando o coração para transplante.

Quando a família do paciente descobriu o acontecido, processaram o médico, acusando-o de negligência médica. Lower só foi inocentado em 1972, e o precedente contribuiu para a mudança da legislação americana sobre determinação da morte.

Apesar de uma grande conquista, na época o transplante cardíaco não foi visto dessa forma. O acontecimento era até então inconcebível, revolucionário (apesar da já prática dos transplantes de rins, córneas e ossos do sistema auditivo).

Havia obstáculos morais que assombravam o transplante do coração: o órgão era visto não apenas como outro qualquer mas sim o lugar da alma, o núcleo humano, o centro da personalidade de cada um.

O QUE TORNOU O TRANSPLANTE DE ÓRGÃO MAIS BEM SUCEDIDOS DO QUE OS PRIMEIROS PROCEDIMENTOS?

A descoberta da ciclosporina foi um grande marco para o sucesso do transplante de órgãos. Em 1972, um composto derivado de fungos capaz de suprimir a rejeição dos órgãos transplantados sem um grande dano no sistema imunológico do receptor foi marcante para a evolução desse tipo de procedimento.

Nesse momento, o prognóstico não era mais tão sombrio para quem recebia um órgão transplantado. Um exemplo extremo, o americano Tony Huesman sobreviveu por 31 anos com um coração transplantado (acreditem ou não, há pacientes do Instituto Nacional de Cardiologia, no Rio de Janeiro, que são transplantados cardíacos e já correram provas de longa distância).

O PRIMEIRO TRANSPLANTE CARDÍACO NO BRASIL:

No dia 26 de maio de 1968, o Brasil entrava no rol dos países pioneiros do transplante de coração. No Hospital das Clínicas das Faculdade de Medicina da USP, a equipe médica chefiada pelo professor Zerbini foi responsável pelo primeiro transplante cardíaco ocorrido no Brasil, e na América Latina.

O evento se transformou até em letra de música pela dupla sertaneja “Moreno e Moreninho”.

Desde então, a técnica e o suporte para o transplante cardíaco vem avançando cada vez mais, tornando cada vez melhor o prognóstico dos pacientes receptores, tornando-se uma realidade cada vez mais frequente no mundo e salvando inúmeras vidas.

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Guilherme Pompeo

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